quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Um ano de Camille... não tem preço!

Há um ano atrás, exatamente às 10 horas da noite, eu conheci a pessoa que iria mudar toda a minha vida. Claro que já convivíamos bastante há algum tempo, afinal ela estava há nove meses na minha barriga se preparando e se preparando para aparecer... mas não era possível imaginar o que seria até eu olhar para aquele rostinho pequeno, delicado, todo amassadinho, com seus olhinhos de bolita a me encarar...
Na verdade, mesmo naquele primeiro momento, não dava para imaginar o que seria, como as coisas se dariam entre nós... Confesso que é bem assustador ter um serzinho em seus braços, um serzinho que depende de você para tudo e que acha que você é um porto seguro. Confesso que tive medo, medo de não saber o que fazer, medo de errar com ela, medo por saber que eu não estava apta a ser mãe. Isso. Ser mãe: assustadora essa palavra. Até ali havia sido fácil ser independente, cuidar da própria vida, sabendo que acontecesse o que acontecesse, era só eu, e que eu sabia me virar e sobreviver a qualquer situação. Naquele instante tudo mudava. Passava a existir alguém, por quem seria preciso pesar consequências, calcular riscos, aprender a ser prudente e não tão impulsiva... alguém que estava agora sob meus cuidados e merecia toda a atenção.
Óbvio que isso não foi pensado claramente na hora. Só havia o medo e o não saber bem ao certo como fazer e como iniciar aquela delicada relação. E não sei muito bem como aconteceu. Mas, aos pouquinhos, entre os chorinhos de dor e cólica (ai! as longas e malditas cólicas!), os olhares dengosos e aqueles sorrisos e olhinhos se iluminando quando me viam... Aconteceu... Enquanto ela pegava com sua pequena mãozinha o meu dedo, apertando bem forte toda a vez que eu a segurava, ela conquistou meu coração...
Um amigo costumava me dizer, antes dela nascer, que eu aprenderia o que era amor à primeira vista assim que eu a conhecesse. Isso quando eu discursava sobre minha vida ser mais importante, e que uma criança não ia mudar isso, enfim... que eu separaria muito bem as coisas, etc, etc. Bobagem. Pura bobagem. Não sei se foi amor à primeira vista, como me dizia o Roberto (grande amigo e paizão de três filhos), e também não sei como, nem quando, nem de que maneira, mas essa pequenina se tornou o que mais me importa na vida.
Descobri que por ela eu brigo e me transformo num leão se for preciso, só para defendê-la (como nunca tinha feito por ninguém, nem mesmo por mim). Por ela eu viro noites em claro e mantenho o humor no dia que segue. Ver um simples sorriso naquele rostinho ou ouvir um “mamãe” num momento qualquer me recompõe de todo o cansaço e tristeza que eu esteja sentindo.
Esse pequeno serzinho, com suas manias (e sim, como tem mania! Quer sempre tudo do jeito dela...), com sua brabeza (é um leãozinho feroz!), e ao mesmo tempo com seu jeitinho delicado e dengoso, me apresentou o amor de uma forma que eu nunca tinha experimentado. E não, não quero dizer que não havia amado até então. Claro que já havia amado. Mas dessa forma, com essa intensidade, acredito que não.
Um ano se passou daquele primeiro contato. Minha vida virou de cabeça para baixo. Não tenho mais tempo para retomar o doutorado, não consigo estudar e não tenho ideia de quando vou conseguir, não sei mais o que é fazer um happy hour ou ir a um cinema... Não sei quanto tempo faz que não fico sozinha (e sim, eu sempre amei passar tempo comigo mesma)... Tudo mudou para mim. Tive de abrir mão de muitas coisas. Muitas mesmo. E que eram muito importantes. Mas, mesmo com tudo isso, hoje eu não consigo imaginar minha vida sem ela. E estar perto dela me faz completamente feliz.
Ainda sei que não sou um porto seguro, e um dia, mais cedo ou mais tarde, ela também vai acabar descobrindo isso, mas por ora desempenho esse frágil papel. Também continuo sabendo que não sou um belo exemplo de mãe, e que erro muitas e muitas vezes (como quando eu briguei para que ela dormisse na cama, achando que ela estava fazendo birra, e descobri, no outro dia, que ela tinha otite e devia estar morrendo de dor..aiai...).. Mas sei também que um dia ela vai entender isso, talvez quando for a sua vez de ser mãe, afinal foi só agora que consegui entender muitas e muitas atitudes da minha mãe. Tudo a seu tempo. Agora, o meu coração? Esse ela pode sempre ter certeza, meu coração é dela. Todo dela. E sei que sou capaz de qualquer sacrifício para vê-la bem.
E o medo que eu sentia? O medo continua sim. E acho que esse medo sempre vai me acompanhar. Não é nada fácil ter alguém sob sua responsabilidade e não há manuais de como fazer, de como criar um filho ou como ser uma boa mãe. Aliás, existe sim. Existem milhares de livros, cada um dizendo uma coisa diferente, mas nada que ajude de fato, na prática do ser mãe. O medo persiste sim, mas a cada dia penso menos nele. E acho que são aqueles olhinhos que tem feito isso, os olhinhos de bolita da pequena Camille... que aos pouquinhos, dia após dia, tem se apresentado para mim, tem se desvendado, permitindo que eu a conheça mais e mais. Hoje já sei identificar os diferentes choros, entender alguns gestos, reconhecer as palavras... e cada dia mais, a cada nova descoberta, mais eu a tenho amado. E como não amá-la?
Hoje completa um ano de Camille em minha vida. Um ano da companhia da pessoa que chegou sem ser planejada, numa hora meio doida, num momento em que eu não sabia muito bem para onde ir e o que fazer. Mas ela chegou. E chegou mudando a direção da minha vida... Sem pedir licença, sem dizer muita coisa. Veio tomando espaço, dona de si. Era tão pequenina e frágil, mas mudou tudo em mim. Amo-te filha! Com todas as minhas forças! Parabéns pelo primeiro ano de vida! E que venham muitos anos mais, que serão comemorados com alegria, muito alegria! Afinal, não há como ficar perto de ti sem sorrir. Você é um serzinho pra lá de especial. Do seu jeito doce e delicado, com esse sorriso largo e essa forma espontânea de transmitir felicidade, não há como não se sentir bem e abençoada. Sim, sou abençoada por ter você em minha vida! E agradeço ao Papai do Céu todos os dias por poder ter você por perto!

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